| Tipos de Cirurgias
Quais os tipos de cirurgia?
As cirurgias levam em conta 2 princípios básicos:
- Restringir o volume de alimento, reduzindo o tamanho do estômago.
- Diminuir a capacidade do intestino absorver o alimento já ingerido, reduzindo a extensão do intestino.
Desta forma realizamos 3 tipos de cirurgia:
1-Cirurgia restritiva
A chamada banda laparoscópica que é a colocação de um anel inflável e regulável de silicone ao redor da parte inicial do estômago, diminuindo sua capacidade (causa restrição gástrica).

Nesta cirurgia não ocorre “grampeamento do estômago ou redução do intestino”, apenas a colocação de um anel de restrição, inflável e regulável. É portanto a cirurgia mais rápida, mais simples e mais facilmente reversível.
No entanto algumas considerações são importantes: a cirurgia de Banda gástrica é a que possui menor reservatório gástrico (20-25 ml) e o anel mais estreito, portanto é o procedimento que necessita maior rigor no controle do volume ingerido.
Neste procedimento não há redução do intestino, portanto a absorção é normal e por isso necessitamos controle mais rigoroso da ingesta de doces e carboidratos, que em pequenos volumes trazem muitas calorias.
Desta forma este é o procedimento que necessita de maior controle alimentar após operar, tanto no volume como no conteúdo calórico ingerido, sendo a cirurgia que tradicionalmente causa mais vômitos e leva a emagrecimento menor (50-60% do excesso de peso).
Em relação ao anel, este está sujeito a deslocamentos para cima e para baixo ou migrações para dentro do estômago, estas complicações podem ocorrer em até 15% dos casos, ocasionando em 9% dos pacientes reoperações ao longo dos anos para reposicionamento, troca da Banda, ou conversão em outra cirurgia. É portanto o procedimento que apresenta a maior quantidade de complicações, apesar de com menor gravidade.
Resumindo, a cirurgia de Banda apesar de menos agressiva, mais reversível e regulável, emagrece cerca de 30% menos, necessita de controles mais freqüentes, sendo fundamental que o paciente seja bem selecionado e se adapte a comer poucos volumes e pouco doce, caso contrário, terá vômitos freqüentes ou emagrecimento insuficiente e terá que refazer ou desfazer sua cirurgia.
2-Cirurgia disabsortiva
Reduzem substancialmente a extensão do intestino funcionalmente ativo, diminuindo drásticamente sua capacidade de absorção. O estômago apesar de parcialmente ressecado não causa restrição (ex: técnica de Scopinaro e Duodenal Switch).

Neste procedimento apesar de retirarmos uma parte do estômago, este continua grande e não causa restrição ao volume ingerido. O paciente pode comer igual ou mais do que comia antes, inclusive alimentos calóricos. E como emagrecemos?
Nesta cirurgia ocorre redução radical do intestino, ou seja a comida só terá 50 cm de intestino para absorver. Não interessa o que comemos e o volume, a comida “passa reto” e não é absorvida adequadamente, e assim emagrecemos sem parar de comer.
No entanto a comida mal digerida tem alguns inconvenientes: causa mais diarréia (estes pacientes passam a evacuar 3-5 vezes por dia), flatulência com odor fétido, perda de vitaminas que necessitam de reposição mais cuidadosa.
Desta forma na cirurgia somente disabsortiva verificamos que apesar de não termos o inconveniente da sensação de restrição gástrica, causamos maior diarréia e flatulência além de perda acentuada de nutrientes e vitaminas devido ao encurtamento drástico do intestino.
Este paciente necessita de acompanhamento médico rigoroso e pode ter complicações nutricionais mais intensas, no entanto é um bom procedimento para pacientes que possuem compulsão acentuada para comer e não vão conseguir parar após a cirurgia.
3-Cirurgia mista (restritiva e disabsortiva)
Também chamada de “bypass” que associam a redução do reservatório gástrico, cortando-o, a diminuição menos acentuada da capacidade do intestino absorver todo o alimento, causam restrição gástrica + má absorção intestinal (ex: técnicas de Capella, Fobi e Wittgrove).

Estas cirurgias procuram o meio termo entre os procedimentos anteriores.
É a cirurgia que alguns chamam de “grampear o estômago” e no Brasil é a técnica mais utilizada e conhecida como cirurgia de Capella.
O reservatório gástrico fica em torno de 50 ml, mais que o dobro da Banda, e o anel é mais largo, sendo assim o paciente vomita menos.
Neste procedimento o encurtamento do intestino é bem menos radical, causando redução da absorção porém diminuindo a incidência de flatulência, diarréia e carência de nutrientes.
Desta forma o paciente tem a sensação de saciedade precoce, como na Banda, aliada a redução da absorção intestinal.
Não é como na cirurgia disabsortiva na qual o paciente pode comer de tudo. Neste procedimento o paciente precisa colaborar, reduzindo o volume das alimentações e principalmente reduzindo a quantidade de carboidratos e as “beliscadas” durante o dia, porém o nível de exigência é menos rigoroso que no caso da Banda e o emagrecimento é superior (80-90% do excesso de peso).
Na Europa diversos cirurgiões utilizam os 3 métodos e demonstram resultados comparáveis entre a Banda e as outras, com mais simplicidade e menor risco para a primeira.
No entanto os estudos nos EUA não conseguiram obter os mesmos resultados com a Banda, os pacientes perderam menos peso, vários precisaram ser reoperados (10%) e retirar ou reposicionar o anel por alguma complicação.
Permanece nos EUA a gastroplastia com “bypass”, cirurgia mista, como a cirurgia mais utilizada na obesidade mórbida.
No Brasil têm-se utilizado todas as 3 técnicas, individualizando o tratamento com o perfil do paciente, porém o procedimento mais freqüente são também as cirurgias do tipo mista (Capella), seguindo a tendência americana.
Cirurgia por videolaparoscopia
Todas as cirurgias de obesidade podem ser realizadas por 2 vias de acesso:
A) Acesso convencional, chamada “cirurgia com corte”.
B) Acesso videolaparoscópico, utilizando uma microcâmera operamos sem o corte convencional, apenas 6 cortes de cerca de 1 cm, o que possibilita recuperação mais rápida, retorno ao trabalho precoce e resultado estético melhor além de redução da incidência de hérnias.

O resultado em relação ao emagrecimento são semelhantes, independentemente da via de acesso. A videolaparoscopia tem as vantagens já mencionadas, no entanto necessita de aparato técnico superior, equipe mais qualificada, materiais cirúrgicos mais sofisticados, o que acarreta elevação dos custos cirúrgicos diretos.
Por outro lado custos indiretos são reduzidos, redução de curativos e cintas abdominais, menor inatividade e redução do prejuízo profissional, menor desgaste afetivo e auto estima por cicatrizes, redução de cirurgias plásticas e melhora de seus resultados, redução de hérnias (10% na cirurgia aberta) e reintervenções para corrigi-las.
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